A paz de Deus vem à mente quieta - UCEM

A paz de Deus vem à mente quieta - UCEM

"Não busque mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo" (UCEM)

"Não busque mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo" (UCEM)
O Perdão é a chave para a Felicidade... Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe. Nisso está a Paz de Deus.

Um Curso em Milagres

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segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mensagem da Monja Coen sobre o Japão de agora



Quando voltei ao Brasil, depois de residir doze anos no Japão, me incumbi da difícil missão de transmitir o que mais me impressionou do povo Japonês: kokoro.

Kokoro ou Shin significa coração-mente-essência.

Como educar pessoas a ter sensibilidade suficiente para sair de si mesmas, de suas necessidades pessoais e se colocar à serviço e disposição do grupo, das outras pessoas, da natureza ilimitada?

Outra palavra é gaman: aguentar, suportar. Educação para ser capaz de suportar dificuldades e superá-las.

Assim, os eventos de 11 de março, no Nordeste japonês, surpreenderam o mundo de duas maneiras. A primeira pela violência do tsunami e dos vários terremotos, bem como dos perigos de radiação das usinas nucleares de Fukushima. A segunda pela disciplina, ordem, dignidade, paciência, honra e respeito de todas as vítimas. Filas de pessoas passando baldes cheios e vazios, de uma piscina para os banheiros.

Nos abrigos, a surpresa das repórteres norte americanas: ninguém queria tirar vantagem sobre ninguém. Compartilhavam cobertas, alimentos, dores, saudades, preocupações, massagens. Cada qual se mantinha em sua área. As crianças não faziam algazarra, não corriam e gritavam, mas se mantinham no espaço que a família havia reservado.

Não furaram as filas para assistência médica – quantas pessoas necessitando de remédios perdidos – mas esperaram sua vez também para receber água, usar o telefone, receber atenção médica, alimentos, roupas e escalda pés singelos, com pouquíssima água.

Compartilharam também do resfriado, da falta de água para higiene pessoal e coletiva, da fome, da tristeza, da dor, das perdas de verduras, leite, da morte.

Nos supermercados lotados e esvaziados de alimentos, não houve saques. Houve a resignação da tragédia e o agradecimento pelo pouco que recebiam. Ensinamento de Buda, hoje enraizado na cultura e chamado de kansha no kokoro: coração de gratidão.

Sumimasen é outra palavra chave. Desculpe, sinto muito, com licença. Por vezes me parecia que as pessoas pediam desculpas por viver. Desculpe causar preocupação, desculpe incomodar, desculpe precisar falar com você, ou tocar à sua porta. Desculpe pela minha dor, pelo minhas lágrimas, pela minha passagem, pela preocupação que estamos causando ao mundo. Sumimasem.

Quando temos humildade e respeito pensamos nos outros, nos seus sentimentos, necessidades. Quando cuidamos da vida como um todo, somos cuidadas e respeitadas.

O inverso não é verdadeiro: se pensar primeiro em mim e só cuidar de mim, perderei. Cada um de nós, cada uma de nós é o todo manifesto.

Acompanhando as transmissões na TV e na Internet pude pressentir a atenção e cuidado com quem estaria assistindo: mostrar a realidade, sem ofender, sem estarrecer, sem causar pânico. As vítimas encontradas, vivas ou mortas eram gentilmente cobertas pelos grupos de resgate e delicadamente transportadas – quer para as tendas do exército, que serviam de hospital, quer para as ambulâncias, helicópteros, barcos, que os levariam a hospitais.

Análise da situação por especialistas, informações incessantes a toda população pelos oficiais do governo e a noção bem estabelecida de que "somos um só povo e um só país".

Telefonei várias vezes aos templos por onde passei e recebi telefonemas. Diziam-me do exagero das notícias internacionais, da confiança nas soluções que seriam encontradas e todos me pediram que não cancelasse nossa viagem em Julho próximo.

Aprendemos com essa tragédia o que Buda ensinou há dois mil e quinhentos anos: a vida é transitória, nada é seguro neste mundo, tudo pode ser destruído em um instante e reconstruído novamente

Reafirmando a Lei da Causalidade podemos perceber como tudo está interligado e que nós humanos não somos e jamais seremos capazes de salvar a Terra. O planeta tem seu próprio movimento e vida. Estamos na superfície, na casquinha mais fina. Os movimentos das placas tectônicas não tem a ver com sentimentos humanos, com divindades, vinganças ou castigos. O que podemos fazer é cuidar da pequena camada produtiva, da água, do solo e do ar que respiramos. E isso já é uma tarefa e tanto.

Aprendemos com o povo japonês que a solidariedade leva à ordem, que a paciência leva à tranquilidade e que o sofrimento compartilhado leva à reconstrução.

Esse exemplo de solidariedade, de bravura, dignidade, de humildade, de respeito aos vivos e aos mortos ficará impresso em todos que acompanharam os eventos que se seguiram a 11 de março.

Minhas preces, meus respeitos, minha ternura e minha imensa tristeza em testemunhar tanto sofrimento e tanta dor de um povo que aprendi a amar e respeitar.

Havia pessoas suas conhecidas na tragédia?, me perguntaram. E só posso dizer : todas. Todas eram e são pessoas de meu conhecimento. Com elas aprendi a orar, a ter fé, paciência, persistência. Aprendi a respeitar meus ancestrais e a linhagem de Budas.

Mãos em prece (gassho)

Monja Coen



terça-feira, 5 de abril de 2011

A SABEDORIA DO DESAPEGO...


 

Bom é agir e bom é abster-se da atividade; tanto isto como aquilo conduz à meta suprema. Mas, para o principiante, melhor é agir corretamente. O verdadeiro renunciante é somente aquele que nada deseja e nada recusa, inatingido pelos opostos, tanto no seu agir como no seu desistir; não afetado nem por esperança nem por medo. Os ignorantes tecem teorias sobre o agir e o conhecer, como se se tratasse de duas coisas distintas: mas os sábios estão convencidos de que quem faz isto, não deixa de colher os frutos daquilo.

O reino da quietude que os sábios conquistam pela meditação é também conquistado pelos que praticam ações; sábio é aquele que compreende que essas duas coisas – a consciência mística e a ação prática – são uma só em sua essência. Difícil tarefa, herói, é alcançar o estado de renúncia sem ação e sem que o espírito da fé penetre o coração. O sábio que, pela força da verdade, renuncia a si mesmo, integra-se em Brahman. Esse é puro de coração, forte no bem e senhor de todos os seus sentidos; a sua vida está a serviço da vida de todos, e ele realiza todas as ações sem ser escravizado por nenhuma delas. Porquanto reconhece que não é ele que age, quando vê, ouve ou sente. Pois, quando vê ou ouve, cheira ou come, dorme ou respira, quando abre ou fecha os olhos, quando dá ou recebe ou exerce outro ato sensório qualquer – não são senão seus sentidos que operam com esses objetos externos.

Quem tudo faz sem apego ao resultado dos seus atos faz tudo no espírito de D'eus e, como a flor de lótus, incontaminada pelo lago em que vive, permanece isento do mal. Com todas as forças do espírito, da mente, do coração e do corpo luta o yogui pela purificação de sua alma, sem nada buscar para si mesmo em tudo o que faz. Quem a tudo renuncia, jubiloso, alcança, já agora, a mais alta paz do espírito; mas quem espera vantagem das suas obras é escravizado pelos seus desejos. O sábio que, em corpo terrestre, se libertou do egoísmo, habita, mesmo quando age, no céu da sua paz, na “cidade dos nove portais”; não tem desejos, nem induz outros a terem desejos. O Senhor do Universo não cria a ação nem o impulso de agir, nem o desejo dos frutos da atividade – tudo isso nasce da natureza finita do indivíduo.

O Senhor do Universo não toma sobre si as culpas dos homens, porque está acima de todas as ações, perfeito em si mesmo. Erram os homens por sua própria ignorância, porque a luz da verdade está envolta nas trevas da ilusão. Mas quando as trevas cedem à luz, amanhece o dia, e, assim como o sol em pleno esplendor, revela-se ao Ser Supremo. Quem se integra no Ser Supremo e nele repousa está livre da incerteza e trilha caminho luminoso, do qual não há retorno, porque a luz da verdade o libertou do mal. Quem vive na luz da Verdade vê D'eus em todos os seres. Os que estão firmes na luz da verdade venceram o mundo, já aqui na terra, pela fé na harmonia universal; porquanto Brahman transcende todas as condições da dualidade, habitando na suprema unidade – quem o conhece, repousa em Brahman.

Quem vive firmemente consolidado na consciência de Brahman não sucumbe à alegria, na prosperidade, nem à frustração, na adversidade – mas remonta à claridade sem nuvens e se integra na Divindade. Quem preserva sua alma livre de todas as coisas que vêm de fora realiza o seu verdadeiro EU, atinge a Paz Profunda, a beatitude do verdadeiro ser. As alegrias que brotam do mundo dos sentidos encerram germes de futuras tristezas; vêm e vão; por isso, ó príncipe, não é nelas que o sábio busca a sua felicidade. Feliz é aquele que, durante a vida terrestre, consegue libertar-se dos impulsos que geram paixão e ódio, estabelecendo-se firmemente no espírito da união com D'eus. É ele, na verdade, um santo, que encontra o céu dentro de si mesmo. Todos os que, libertos de ódio e paixões, fortes na humildade e iluminados pela fé, superaram o seu ego humano e realizaram em si o Eu divino, todos eles se aproximaram da verdadeira Paz em D'eus.

O yogui que habita na luz, que se abstém do contato com o mundo dos sentidos, cujo olho espiritual se abriu e cuja respiração espiritual se sintonizou com a respiração corporal. Ele, que repleto da virtude de D'eus, governa o coração e a mente, e, sem egoísmo, anseia pela redenção – esse se libertou de si mesmo e vive na paz eterna, aqui e por toda a parte. Ele sabe, que EU SOU a Essência em todas as Existências; eu, o Imanifesto em todos os Manifestos: eu, a suprema e imutável Realidade em todos os mundos em incessante mutação; eu, refúgio e proteção de todas as criaturas. Quem isto sabe, encontrou a paz...
(d.a.)

Compartilhado por Christianne




sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A sabedoria é compaixão




Monja Coen Sensei explica que fazer o bem ao outro é fazer o bem a si mesmo.

Fonte: http://pensandozen.blogspot.com/

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Controlando a raiva



Há uma história que ilustra bem o que é ter capacidade de estar em paz consigo mesmo. Conta-se que certo dia um grupo de pessoas raivosas se aproximou de Buda e começou a ofendê-lo. A cada impropério que eles diziam, Buda perguntava: “E do que mais vocês não gostam em mim?” Depois de nova ofensa, ele olhava as pessoas com maior interesse e ouvia tudo em silêncio respeitoso até que após algum tempo disse ao grupo: “Vocês me desculpem, eu preciso sair porque tenho um compromisso. Mas gostaria de marcar outro encontro com vocês amanhã para continuar a desabafar".

As pessoas ficaram surpresas e uma delas perguntou: “Buda, o que está acontecendo? Nós o estamos ofendendo há algumas horas, você nos ouve com o maior interesse e ainda pede que voltemos amanhã para continuar com nossas ofensas? Pensamos que você fosse brigar conosco”.

Buda então respondeu: “Vocês chegaram dez anos atrasados. Antes eu realmente reagia ao que as pessoas faziam ou diziam. Mas agora consigo agir baseado em minha consciência, e não nas ações dos outros”.

Extraído do livro “O Poder da Solução" – Roberto Shinyashiki.

Fonte:http://pensandozen.blogspot.com/2008/03/controlando-raiva.html

DESINTOXICANDO-SE DAS EMOÇÕES VENENOSAS



O psicólogo Marco Aurélio Bilibio fala sobre a função psicológica das emoções e seu papel na autorealização e no adoecimento psíquico. Emoções dão colorido à vida, mas tornam-se tóxicas quando se transformam em feridas afetivas de que não sabemos mais nos libertar. Emoções tóxicas estão na raiz de vidas insatisfatórias e de pouca realização. Quando se tornam epidemias sociais levam à desorganização familiar e comunitária. Na vida profissional podem gerar prejuízos grandes à carreira, levando à relações conflitivas e desmotivação. Além da compreensão da dinâmica emocional, Marco Aurélio focaliza também atitudes e posturas que podemos aprender para nos desintoxicarmos dessas fixações e recobrarmos o fluxo natural de emoções nutritivas, tanto na vida pessoal como na profissional.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Idéias Como Obstáculos à Verdadeira Felicidade - Thich Nhat Hanh



Palestra de Dharma dada por Thich Nhat Hanh no Stonehill College em 2003. Nesta palestra, Thay nos alerta que muitas vezes nos apegamos com ardor a certas coisas, sejam elas materiais ou imateriais, como se elas fossem a garantia de nossa felicidade. Pode ser a uma pessoa, a uma idéia, a um projeto político, a uma religião, a algo no mundo das mercadorias, à fama, ao sexo, ao dinheiro...E, na maioria das vezes, essas mesmas coisas são, na realidade, obstáculos para que nos tornemos felizes...

Fonte: http://interserblog.blogspot.com/

Habitos da Felicidade








Matthieu Ricard:

Fonte: http://sandralage.blogspot.com/2011/02/habitos-da-felicidade-por-matthieu.html

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Atuando no plano das causas


Por Que os Teosofistas  não dão demasiada atenção aos efeitos

Carlos Cardoso Aveline


Tanto no mundo material como no plano da realidade sutil, tudo o que ocorre de modo perceptível já aconteceu antes, necessariamente, no plano das causas.

Cada evento que é percebido por alguém teve a sua cadeia de causação colocada em movimento antes de se tornar um fato consumado.

As causas, em si mesmas, são invisíveis. Os fatos externos podem ser detectados pelos cinco sentidos, mas quando os mesmos fatos se transformam em Causas e geram conseqüências, a sua ação já não é tão fácil de perceber, a menos que haja uma atenção e um exame adequados por parte do observador. Aquele que busca a verdade deve ter uma estrutura de consciência que não fique presa à vasta rede cármica dos efeitos que interagem entre si.

As causas dos fenômenos são Ocultas à visão externa, e o Ocultismo ou teosofia é uma ciência das Causas. Ela estuda o que está além dos aspectos aparentes dos seres, das ações e das situações.

Os estudantes atentos de teosofia buscam as Fontes dos acontecimentos. Eles combatem os Alicerces, e não apenas os sintomas, do Sofrimento e da Ignorância. Eles produzem e estimulam as Causas de libertação interior. Preferindo agir no plano Causal, frequentemente deixam que os efeitos cuidem de si mesmos. Este é um sentido oculto da famosa frase “Que os mortos enterrem os seus mortos” (Mateus, 7: 22).

De fato, a vida está sobretudo nas causas. Os pequenos fatos são a origem dos grandes acontecimentos. A vitalidade flui desde o plano oculto - a dimensão da semente - para o plano da germinação, isto é, dos pequenos resultados. Em seguida, o que é pequeno se transforma no que é grande. Finalmente, as grandes estruturas tendem a desaparecer, de acordo com a Lei dos Ciclos. Deste modo elas abrem espaço para que novas sementes germinem e novas formas de vida cresçam, tornando visíveis outros aspectos da Vida Oculta e Infinita.

O Desejo de cada indivíduo tem uma relação preferencial com os efeitos, assim como a sua Vontade ativa está relacionada com o mundo das Causas. Os Sábios e os Ocultistas seguem a lei da conservação da energia e focam seu esforço central nas Causas, para não perder demasiado tempo com aquilo que dificilmente pode ser mudado ou evitado - os efeitos.


Dirigindo as Causas, o indivíduo pode influenciar melhor o mundo dos efeitos. Geralmente a recíproca não é verdadeira. É bem mais difícil influenciar o mundo das Causas agindo desde o mundo dos efeitos. No entanto, causa e efeito não podem ser separados. Cada efeito é também uma causa, e cada causa, um efeito. No Tripitaka, o cânone budista, o “Sutra dos Preceitos do Discípulo” afirma:

“Meu filho, se o bodhisattva pode contemplar causa e efeito, o efeito da causa e a causa do efeito, ele pode deste modo romper as causas e os efeitos, e obter causas e efeitos. Se o bodhisattva pode romper e obter causas e efeitos, isso é chamado de ‘o efeito do Dharma’ [1], o rei de todos os dharmas, e o auto-controle de todos eles.” [2]

Nas “Cartas dos Mahatmas” encontramos a seguinte definição sobre o que é filosofia esotérica:

“Nossa filosofia se encaixa na definição de Hobbes. Ela é preeminentemente a ciência dos efeitos pelas suas causas e das causas por seus efeitos. [3]


De acordo com o budismo, os doze Nidanas formam a “cadeia de causação” da vida e do sofrimento dos seres humanos. Os nomes tradicionais dos Nidanas [4] servem como exemplos para estimular o estudo e a observação da cadeia de causação presente em cada aspecto da vida. Tal cadeia de causação é, naturalmente, a cadeia do carma. Ela é a rede simétrica de apegos e rejeições, desejos e medos, formas de prazer e formas de dor. É esta cadeia que transforma os seres humanos em prisioneiros cegos do ciclo desconfortável de nascimento e morte.

Nas Cartas dos Mahatmas, depois de descrever o mundo nidânico dos apegos humanos, um Mestre de Sabedoria faz uma pergunta difícil a um discípulo leigo que queria ter um diálogo mais de perto com os sábios dos Himalaias. O Mestre escreveu, referindo-se aos homens e mulheres comuns:

“Irá você tentar - para diminuir a distância entre nós - libertar-se da rede da vida e da morte em que eles todos estão presos (.....) ?” [5]

De fato, tudo depende de cada indivíduo. A libertação só pode ser verdadeira se for auto-libertação.

O Carma é o grande professor, e a Vida nos dá valiosas oportunidades para que aprendamos.

No início de cada novo ciclo do tempo - um novo ano, uma nova década ou um novo dia de 24 horas - nós temos condições mais propícias para focar nossa consciência em uma compreensão adequada das Causas da ignorância, para evitá-las; e das Causas da obtenção da Sabedoria, para colocá-las em movimento de modo mais intenso, mais definido e mais eficaz.

NOTAS:

[1] Dharma: Do sânscrito, dever, lei, doutrina, ensinamento.

[2] “The Sutra on Upasaka Precepts”, BDK English Tripitaka, Translated from the Chinese of Darmaraksa, Numata Center for Buddhist Translation and Research, 1994, 225 pp., ver p. 38.

[3] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Brasília, 2001, edição em dois volumes, Carta 88, volume II, p. 54.

[4] Veja a lista dos doze Nidanas no item correspondente do “Glossário Teosófico” de H. P. Blavatsky, Ed. Ground, SP.

[5] “Cartas dos Mahatmas”, Editora Teosófica, Carta 47, volume I, p. 214.


terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Diante da morte




Como é triste que a maioria de nós apenas comece a apreciar a vida quando estamos a ponto de morrer!

Penso sempre nas palavras do grande mestre Padmasambhava: “Os que crêem ter muito tempo, preparam-se somente na hora da morte. Aí são devastados pelo remorso. Mas já não será tarde demais?”.

Não há comentário mais desalentador sobre o mundo moderno do que esse: a maioria das pessoas morre despreparada para morrer, como viveu despreparada para viver.

Sogyal Rinpoche, em “O Livro Tibetano do Viver e do Morrer“



Imagem: Internet

Nada fazendo....







Sentado quietamente,

Nada fazendo,

A primavera vem,

A grama cresce por si.



— Zenrin Kushû



Purifique a mente...



A mente pode e deve transformar-se para melhor. Pode livrar-se das impurezas que a contaminam e elevar-se ao nível mais elevado. Todos começamos com as mesmas aptidões, mas algumas pessoas as desenvolvem, outras não.  (Dalai Lama, O Livro de Dias, Sextante)


Reflexão....



Sem corresponder o corpo, a fala e a mente com o Dharma, de que adianta celebrar ritos religiosos?

Se o ódio não for subjugado pelo seu antídoto, de que adianta celebrar ritos religiosos?

A menos que se medite sobre amar mais aos outros do que a si mesmo, de que adianta dizer, "Ó, pobres seres sencientes!" ? (Milarepa, 1040-1123)

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Julgar os outros...


Nunca se sabe onde pode haver um bodisatva. É dito que muitos bodisatvas, usando métodos habilidosos, são encontrados até mesmo entre abatedores de animais ou prostitutas. É difícil dizer se alguém tem bodhicitta* ou não. Buda disse:

Além de mim e daqueles como eu, ninguém pode julgar outra pessoa.

Então, qualquer um que desperte bodhicitta em você, seja uma deidade, um mestre, um companheiro espiritual ou qualquer outra pessoa, considere-o simplesmente como um verdadeiro buda.

Patrul Rinpoche (Tibete, 1808-1887)
 
* bodhicitta: aspiração à iluminação com o objetivo de beneficiar todos os seres
 
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terça-feira, 16 de novembro de 2010

Por que palavras?


Um monge aproximou-se de seu mestre - que se encontrava em meditação no pátio do Templo à luz da lua - com uma grande dúvida:
"Mestre, aprendi que confiar nas palavras é ilusório; e diante das palavras, o verdadeiro sentido surge através do silêncio. Mas vejo que os Sutras e as recitações são feitas de palavras; que o ensinamento é transmitido pela voz. Se o Dharma está além dos termos, porque os termos são usados para defini-lo?"
O velho sábio respondeu:" As palavras são como um dedo apontando para a Lua; cuida de saber olhar para a Lua, não se preocupe com o dedo que a aponta."
O monge replicou: "Mas eu não poderia olhar a Lua, sem precisar que algum dedo alheio a indique?"
"Poderia," confirmou o mestre, "e assim tu o farás, pois ninguém mais pode olhar a lua por ti. As palavras são como bolhas de sabão: frágeis e inconsistentes, desaparecem quando em contato prolongado com o ar. A Lua está e sempre esteve à vista. O Dharma é eterno e completamente revelado. As palavras não podem revelar o que já está revelado desde o Primeiro Princípio."
"Então," o monge perguntou," por que os homens precisam que lhes seja revelado o que já é de seu conhecimento?"
"Porque," completou o sábio, "da mesma forma que ver a Lua todas as noites faz com que os homens se esqueçam dela pelo simples costume de aceitar sua existência como fato consumado, assim também os homens não confiam na Verdade já revelada pelo simples fato dela se manifestar em todas as coisas, sem distinção. Desta forma, as palavras são um subterfúgio, um adorno para embelezar e atrair nossa atenção. E como qualquer adorno, pode ser valorizado mais do que é necessário."
O mestre ficou em silêncio durante muito tempo. Então, de súbito, simplesmente apontou para a lua.

 
Tam Hyuen Van


ilustração de Yoshitoshi Tsukioka, Lua da Iluminação: Cem visões da Lua (Moon of Enlightenment: One Hundred Views of the Moon, 1885-1892);

A armadilha das noções...



O Buda contou uma parábola interessante em relação às idéias e noções. Um jovem comerciante ao voltar pra casa viu que ela foi atacada e incendiada por bandidos. No que seria o lado de fora da casa destruída, havia um pequeno corpo carbonizado. Ele pensou logo que aquele corpo pertencia a seu filho. Ele não sabia que, na verdade, seu filho estava vivo e nem que, após incendiarem a casa os bandidos levaram-no junto com eles. Naquele estado de confusão o jovem comerciante acreditou que o corpo que ele estava vendo era o de seu filho. Então, ele chorou, bateu no peito e arrancou os cabelos lamentando sua perda – e assim preparou a cerimônia de cremação.
Esse homem amava muito esse filho, era a sua razão de viver. Tanto que, mesmo depois da cremação, ele não conseguia abandonar as suas cinzas nem só por um momento. Mandou fazer uma bolsa de veludo, pôs as cinzas dentro e a carregava dia e noite. Mesmo trabalhando ele não se separava delas. Mas eis que, uma noite, seu filho conseguiu fugir dos bandidos e voltou para casa reconstruída. Às duas horas da manhã ele bateu na porta muito feliz por estar de volta. O pai acordou e ainda segurando a bolsa com as cinzas perguntou: “Quem está aí?”.
“Sou eu. Seu filho!” Disse o garoto atrás da porta.
“Você, seu teimoso, não é meu filho. Ele morreu três meses atrás. Eu carrego as suas cinzas aqui comigo”.
O garotinho continuou ainda por um tempo a gritar e a bater na porta, mas seu pai continuou se recusando a deixá-lo entrar. O homem estava firmemente agarrado à idéia de que seu filho já estava morto e que esse outro menino era uma pessoa sem coração que veio somente para atormentá-lo. Finalmente, o menino desistiu e foi embora e o pai perdeu o filho para sempre.
O Buda costumava dizer que se você se deixar apanhar por uma idéia e passa a considerá-la como “a verdade”, você perderá a chance de conhecer a verdade. Mesmo se a própria verdade em pessoa vier e bater à sua porta, você se recusará a abrir a sua mente. Portanto, se você estiver comprometido com uma idéia acerca da verdade ou acerca das condiçõs necessárias para a sua felicidade, tome cuidado. O Primeiro Treinamento da Plena Consciência é justamente sobre sermos livres dos pontos de vista:
“Cientes do sofrimento causado pelo fanatismo e pela intolerância, nós estamos determinados a não sermos idólatras e a não nos apegarmos a nenhuma doutrina, teoria ou ideologia, mesmo que seja de origem budista. Os ensinamentos do budismo são um guia para nos ajudar a olhar profundamente a realidade e para desenvolver nossa compreensão e nossa solidariedade, e não uma doutrina em nome da qual devamos combater, matar ou morrer”.
Esta é uma prática que ajuda a nos libertar da tendência a sermos dogmáticos. Nosso mundo sofre já bastante por causa das atitudes dogmáticas. O primeiro treinamento da plena da consciência é importante por que nos ajuda a permanecer pessoas livres. Liberdade é, acima de tudo, liberdade de nossas próprias noções e conceitos. Ao permanecermos enredados em nossas noções e conceitos, faremos sofrer a nós mesmos e mesmo àqueles a quem amamos
 
 
Imagem: Internet

As Quatro Nobres Verdades



As Quatro Nobres Verdades

Prof. de Dharma Rodney Downey (do Zen coreano)

Tradução: Ricardo Sasaki & Rosana Lucas

Editor da palestra oral: Ricardo Sasaki

Gostaria de começar falando sobre alguns enganos que temos a respeito do Dharma do Buddha, os quais são muito comuns em todo o mundo ocidental, e mesmo no Oriente. A causa desses enganos tem a ver com palavras e com aquilo que elas significam.

Hoje, no café da manhã, eu comi bolo. E ontem eu aprendi que existe uma expressão em português: Quando você vai se encontrar com uma pessoa e ela não comparece, diz-se que você "ganhou um bolo". Imaginem que daqui a 500 anos, um arqueólogo encontre um diário de anotações de um brasileiro. Lá é dito: "Eu fui encontrar com Paulo e ganhei um bolo". O tradutor diria que eles comeram um bolo juntos! Esta é a armadilha das palavras, as quais têm um significado para uma época e cultura em particular. O mesmo se dá com alguns dos ensinamentos do Buddha.

Consideremos as Quatro Nobres Verdades, as quais estão no centro do ensinamento do Buddha. A tradução usual das Quatro Nobres Verdades é: "A vida é sofrimento; a causa do sofrimento é o desejo; a cessação do sofrimento é se ver livre do desejo; o modo de fazê-lo é o Caminho Óctuplo".

Isto está correto? De modo algum! Isto não é o que o Buddha falou. Este é o problema! Vamos começar com a Primeira Nobre Verdade, que é sempre traduzida como "A vida é sofrimento". Mas que coisa horrível! Veja a vida! É uma força excitante e de grande diversidade, de inacreditável deleite. Por que, então, é traduzido como a vida é sofrimento?

Vamos examinar a língua em que o Buddha falava. O Buddha disse, de fato, que a vida é dukkha. Esta palavra sempre é traduzida como sofrimento, mas isso não é de modo algum o que significa. A raiz de dukkha é duk, e significa "eixo". Veja a época do Buddha: A forma mais complexa de transporte era uma carroça; era uma carroça de madeira, como é na Índia ainda hoje, com um eixo de madeira unindo duas rodas também de madeira, e puxada por búfalos.

A palavra dukkha significava o eixo que está fora do prumo, que está fora de alinhamento. Imaginem o sofrimento de uma pessoa sentada nessa carroça, a força que os búfalos devem fazer e, ao invés da carroça seguir suavemente, ela está fora do eixo, desalinhada.

Então, Buddha fala sobre a vida - a vida de todos nós - usando o exemplo da carroça que tem seu eixo fora de alinhamento. Ele diz que nossas vidas estão fora de equilíbrio. E é esse desequilíbrio que leva ao sofrimento. Ele nunca disse que a vida é sofrimento. Este é um ponto muito importante. Nossas vidas estão fora de equilíbrio, ou, como os chineses falariam, não está fluindo junto com o Tao. Ambas as expressões significam a mesma coisa. Esta é a Primeira Nobre Verdade.
A Segunda Nobre Verdade se refere à razão da vida ser assim, e isso é geralmente traduzido como desejo. Mas nós teríamos uma vida muito estranha se não tivéssemos desejos. Não é o que o Buddha falou. A palavra que o Buddha usou foi trishna e significa 'sede'. Nas palavras do próprio Buddha isso foi descrito: "É como um homem vagando no deserto por muitos dias, sedento por água". Isso também é a sede do 'eu quero' e do 'eu não quero', e é por isto que todos nós sofremos.

O que é este 'eu quero' e 'eu não quero'? O que isso indica? Significa que não estamos satisfeitos com este momento, 'agora'. Porque se estivéssemos 'aqui' (Rodney bate no chão), não haveria 'querer' nem 'não querer'. Simplesmente haveria este momento, agora. O Buddha, utilizando-se deste exemplo, estava dizendo: "Esteja com este momento". O momento em que você quer ou não quer é o momento em que você deixa o agora, o momento presente, e aí, então, isso leva ao sofrimento.



Então, esse desequilíbrio que temos faz com que nunca estejamos no momento e, não estando no momento, isso leva ao sofrimento. É muito simples. Agora você pode examinar a sua própria vida a partir dessas palavras.



Mas o Buddha não parou por aí. Ele nos deu uma cura para este 'não estar no momento', este sofrimento. Esta cura é a Terceira Nobre Verdade, que é a verdade mais mal entendida de todas.



Ele fala do Nirvana ou Nibbana, que é uma palavra que é usada em todas as línguas nos dias de hoje, mas ninguém sabe o que significa. A palavra é muito simples. Significa expirar, apagar - como apagar uma vela. Muito simples! O Buddha apenas usava palavras simples, mas mesmo assim elas foram totalmente mal compreendidas, porque geralmente ela é traduzida como extinção do desejo. Correto? Não significa de modo algum isto.



No tempo do Buddha, a palavra nirvana, apagar, significava simplesmente isto: apagar. Mas havia uma grande diferença. De acordo com a ciência e a filosofia do Vedanta, quando você apaga uma chama, como em uma vela ou em uma lâmpada de óleo, você diz que a chama ficou livre. Quando você acende uma vela, você captura a chama, como se a colocasse numa gaiola. Então, em 'nossa' idéia de apagar uma vela nós dizemos 'extinguir' ou 'matar'; mas, na época do Buddha, apagar uma chama significava libertá-la. Da mesma forma como seu "bolo"; coisas completamente diferentes!



Então, o Buddha nunca disse algo como matar os seus desejos; ele falava da libertação ou liberdade deste apego ao 'eu quero' ou 'eu não quero'. Quando você abandona isso, então a sua vida entra num equilíbrio. Aí, então, você está completamente livre. Este é um ensinamento maravilhoso, porque ele é prático e você pode vê-lo em sua própria vida.



Se você sempre está no momento, você não pode sofrer, você está livre para ir para o próximo momento, livre para seguir para o próximo momento, sempre totalmente livre, sem estar preso no 'eu quero' ou 'eu não quero'. E é isso que o Buddha ensinava. Ele, então, nos deu o Caminho Óctuplo como uma forma de alcançar isso. Da mesma forma como as pessoas dizem hoje: "Como eu posso levar esta prática para a minha vida?", o Buddha nos deu a resposta. É o Caminho Óctuplo: A Compreensão Correta, o Pensamento Correto, a Linguagem Correta, a Ação Correta, os Meios de Vida Correto, o Esforço Correto, a Vigilância Correta, a Concentração Correta. Mas cuidado com a palavra 'correto', porque 'correto' implica que há um 'errado', e o Buddha não usava a palavra desta forma; o Buddha não falava desde um ponto de vista dualista.



Uma palavra melhor do que 'correto' é 'apropriado'. Linguagem Apropriada, Pensamento Apropriado, Compreensão Apropriada, etc. Vamos, então, apenas examinar um desses fatores, utilizando a palavra 'apropriada' ao invés de 'correta'. Linguagem Apropriada significa não falar mal de uma outra pessoa, não utilizar palavras para se mostrar, não utilizar palavras para sugerir algo que não é correto. Há muitos exemplos em suas vidas. Simplesmente falar demais é uma linguagem inapropriada. Podemos falar que ler demais também é uma linguagem inapropriada, ou ver televisão demais também seria linguagem inapropriada.



O que o Buddha quis fazer ao ensinar sobre essas várias ações não apropriadas foi nos dar um instrumento para examinarmos as nossas próprias vidas. O que significa 'apropriado' em termos de nossa vida? Significa Linguagem, Ação e Pensamento que nos ajudam a nos livrarmos de nosso desequilíbrio, de nosso dukkha.



O Caminho Óctuplo usado apropriadamente irá nos ajudar a colocar a nossa vida em equilíbrio. Isso não é algum ensinamento esotérico, nem aquilo que freqüentemente acontece no ensinamento mal compreendido sobre o que o Buddha ensinou.



As Quatro Nobres Verdades são muito práticas, baseadas na vida real. É um ensinamento sobre como viver a sua vida. E posso assegurar a vocês, que se lerem qualquer ensinamento do Buddha que parecer muito distante de sua vida agora, isso é uma tradução ruim. Porque o Buddha era um homem prático e inteligente, que olhava profundamente para o que fazemos conosco. A partir daí, ele nos ofereceu um modo de sair disso. Espero que isso que falei sobre as Quatro Nobres Verdades tenha lançado um pouco de luz. Muito obrigado!







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