A paz de Deus vem à mente quieta - UCEM

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"Não busque mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo" (UCEM)

"Não busque mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo" (UCEM)
O Perdão é a chave para a Felicidade... Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe. Nisso está a Paz de Deus.

Um Curso em Milagres

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quinta-feira, 17 de junho de 2010

Histórias de um Lama Tibetano





Um lama da província de Golok, no Tibet Oriental, foi ver Jamgön Kongtrül Lodrö Thaye, o Grande [1813-1899]. O lama disse a Jamgön Kongtrül que tinha ficado em uma cabana de retiro, meditando por nove ou dez anos. "Agora, minha prática é muito boa. Às vezes tenho algum grau de clarividência. Quando coloco minha atenção em alguma coisa, ela permanece inabalável, sinto-me tão quieto e sereno! Experiencio um estado totalmente sem pensamentos e conceitos. Durante longos períodos de tempo, experiencio nada mais do que êxtase, claridade e não-pensamento. Mais apropriadamente, eu diria que minha meditação tem sido bem sucedida!"

"Ó, que pena!", foi a resposta de Jamgön Kongtrül.

O lama saiu um pouco abatido, retornando apenas na manhã seguinte. "Honestamente, Rinpoche, minha prática de concentração é boa. Consigo igualar todos os estados mentais de prazer e de dor. Os três venenos do ódio, desejo e ignorância não têm mais adesão real sobre mim. Depois de meditar por nove anos, acho que este nível é muito bom."

"Ó, que pena!", Jamgön Kongtrül respondeu.

O lama pensou, "Ele é reputado como sendo um mestre eminente, além da inveja, mas acho que ele está com um pouco de inveja de mim. Estou surpreso!"

Então disse, "Eu vim aqui para perguntar a você sobre a natureza da mente por causa da sua grande reputação. A minha meditação durante o dia é boa; absolutamente, não estou perguntando sobre ela. Estou muito satisfeito! O que quero perguntar é como praticar durante a noite, quando tenho alguma dificuldade."

A resposta de Jamgön Kongtrül foi novamente "Ó, que pena!"

O lama pensou, "Ele realmente está com inveja de mim! Ele provavelmente não tem uma fração dos poderes de clarividência que eu tenho!" Quando o lama explicou sua clarividência, "Para mim, não há problema para ver três ou quatro dias no futuro", Jamgön Kongtrül disse de novo, "Ó, que pena!"

O lama foi para o seu quarto. Ele mesmo deve ter começado a ter dúvidas, porque depois de alguns dias ele retornou e disse, "Estou indo de volta ao meu retiro. O que devo fazer agora?"

Jamgön Kongtrül disse a ele, "Não medite mais! A partir de hoje, pare de meditar! Se você quer seguir o meu conselho, então vá para casa e fique em retiro por três anos, mas sem meditar nem um pouco! Não cultive o estado de calma mental nem por um instante!"

O lama pensou, "O que ele está dizendo! Quero saber o porquê, o que isso significa? Por outro lado, ele é supostamente um grande mestre. Vou tentar fazer o que ele disse e ver o que acontece." Então disse, "Certo, Rinpoche", e saiu.

Quando voltou ao retiro, ele teve um período difícil, tentando não meditar. Cada vez em que ele simplesmente não interferia, sem tentar meditar, ele sempre se pegava meditando novamente. Depois ele disse, "O primeiro ano foi tão difícil! O segundo ano foi um pouco melhor." Neste ponto, ele percebeu que, no "ato de meditar", ele simplesmente tinha mantido sua mente ocupada. Então ele compreendeu o que Jamgön Kongtrül queria dizer com o "Não medite".

No terceiro ano, ele alcançou a verdadeira não-meditação, deixando totalmente para trás o cultivo deliberado. Ele descobriu um estado totalmente livre do fazer e do meditar, simplesmente deixando a consciência exatamente como ela naturalmente é. Nesse ponto, nada espetacular aconteceu em sua prática, nem qualquer clarividência especial. Além disso, suas experiências de êxtase, claridade e não-pensamento desapareceram, e então ele pensou "Agora, minha prática de meditação está totalmente perdida! É melhor voltar e pedir mais conselhos!"

Retornando a Jamgön Kongtrül e relatando sua experiência, Rinpoche respondeu, "Certo! Certo! Estes três anos fizeram sua meditação ser bem sucedida! Certo!" Jamgön Kongtrül continuou,
"Você não precisa meditar mantendo deliberadamente algo em mente, mas também não se distraia!"

O lama disse, "Dever ser por causa do meu treino anterior no estado calma mental que os períodos de distração são muito curtos. Não há muita distração. Sinto ter descoberto o que você queria dizer. Experiencio um estado que não é criado através da meditação, mas que dura por um tempo, por si mesma."

"Certo", disse Jamgön Kongtrül, "Agora passe o resto de sua vida treinando nisso!"

E esta é a história de um meditador de Golok que mais tarde ficaria conhecido por ter alcançado um altíssimo nível de realização.



Contado por Tülku Urgyen Rinpoche





terça-feira, 15 de junho de 2010

O Verdadeiro Som da Verdade




Em terras Tibetanas Budistas a prece mais comum encontrada em todo lugar , é Om Mani Peme Hung, o mantra de Chenrezi, o Buda da compaixão. O mantra originário da Índia, à medida em que migrou para o Tibet, teve a sua pronúncia modificada porque alguns sons na linguagem sanscrita Indiana eram difíceis para os Tibetanos pronunciarem.
Uma antiga estória nos conta de um problema similar. Um devotado praticante de meditação, depois de anos concentrado em um mantra em particular, havia conquistado insight suficiente para começar a ensinar. A humildade do estudante estava longe de ser perfeita, mas os mestres no mosteiro não se preocupavam com isso.
Com alguns anos ensinando com sucesso deixaram o praticante certo de que não precisava aprender com mais ninguém; mas ao ouvir falar de um famosos ermitão que vivia nas proximidades, viu que a oportunidade era muito atraente para ser deixada de lado.
O ermitão vivia sozinho em uma ilha no meio de um lago, desta forma o praticante contratou um homem com um barco para atravessá-lo até a ilha. O praticante foi muito respeitoso com o velho ermitão. Depois de tomarem chá com ervas o praticante perguntou ao ermitão sobre suas práticas espirituais. O velho lhe disse que não tinha nenhuma prática espiritual, exceto por um mantra que ele repetia o tempo todo para si mesmo.. O praticante estava extasiado: o ermitão estava usando o mesmo mantra; mas quando o ermitão pronunciou o mantra em voz alta, o praticante ficou estarrecido!
"O que está errado?" perguntou o ermitão
"Eu não sei o que dizer. Eu temo que você desperdiçou todas a sua vida! O senhor está pronunciando o mantra de forma incorreta!"
Oh! Isto é terrível. Como eu deveria dizê-lo?
praticante deu a pronúncia correta, e o velho ermitão ficou muito agradecido, pedindo para ser deixado a sós para que pudesse começar imediatamente na prática. Na travessia de volta o praticante, agora obviamente um mestre completo, ficou refletindo sobre o triste destino do velho ermitão.
"Foi muita sorte eu ter vindo. Pelo menos ele terá um pouco de tempo para praticar corretamente antes de morrer."Neste instante, o praticante percebeu que o barqueiro estava olhando assustado, e se virou para ver o ermitão de pé, respeitosamente, sobre a água perto do barco.
"Com licença, por favor. Eu sinto incomodá-lo, mas eu esquecí de novo a pronúncia correta. Você por favor poderia repetí-la para mim?"
" Obviamente o senhor não precisa disto,"gaguejou o praticante, mas o velho insistiu em seu pedido educado até que o praticante demonstrou piedade e repetiu para ele novamente.
O velho ermitão ficou dizendo o mantra muito cuidadosamente, devagar e repetidamente, assim que caminhava sobre a superfície da água de volta para a ilha.


Autor desconhecido
Fonte:http://www.sintoniasaintgermain.com.br/contos_tibetanos28.html

A Sabedoria pode ser Contagiosa




Até recentemente Kham no Tibete oriental era uma terra inabitada, primitiva, não muito diferente do velho-oeste norte-americano de um século atrás. Não era incomum os clãs ali guerrearem uns contra os outros. A bandidagem reinava, e as regras feudais prevaleciam.
Paradoxalmente, já que haviam poucas pessoas, a vida era simples, e o isolamento facilmente alcançado. Kham também foi por séculos um dos maiores centro de meditação e prática iogue do Tibete.
Bodicita (mente desperta) é um sinônimo com a verdadeira grandeza de coração. Refere-se à mente iluminada imparcial e altruísta de um Bodisatva, um herói espiritual.
Patrul Rinpoche certa vez passeava sozinho nas montanhas rugosas próximas a Markhog, acampando ao ar livre. Ele meditava nos ensinamentos sobre Bodicita de Shantideva a respeito da aspiração altruísta pela iluminação. Era desejo de Patrul ser suficientemente livre de preconceitos para tratar os outros como a si mesmo.
Uma trilha suja e difícil cortava através da cordilheira e ligava os vales de dois clãs inimigos. A sensibilidade meditativa do mestre solitário à violência que o cercava servia para inspirar suas orações e devoções compassivas.
Um dia os lados guerreiros perceberam o vagabundo ao lado da trilha; perguntaram-se quem era ou quem pretendia ser. Encontraram Patrul deitado numa fissura estreita na trilha da montanha, onde todo o viajante via-se obrigado a passar por cima dele. Nessa posição incomum, Patrul podia orar para cada viajante individualmente, na esperança de pacificar suas emoções violentas.
Depois de um tempo, três cavalheiros armados chegaram ao desgastado mendigo próximo a seu frio acampamento. Forcados a parar abruptamente seus cavalos e desmontar, eles exigiram, "Estas doente, aleijado — leproso, talvez? O que há de errado contigo, deitado no caminho desse jeito?"
O despreocupado mestre respondeu, "Não se preocupem, jovens, não pegarão minha doença. É chamada Bodicita, e dificilmente passaria para saudáveis rapazes guerreiros!" Um pouco confusos, os três remontaram e foram embora.
Mais tarde Patrul disse, "Talvez seja contagiosa, essa Bodicita imparcial, pois podemos pegá-la dos grandes praticantes espirituais. Mas nestes dias, apesar de muitos dizerem que a possuem, poucos parecem realmente desenvolver seus sintomas de amor e compaixão altruísta incondicionais."

Então ele orou, "Possam todos os seres sem exceção serem infectados pela preciosa Bodicita."
Miraculosamente, o feudo sanguinário em Markhog logo terminou. O povo local disse que os jovens guerreiros deveriam ter pego a doença infecciosa de paz daquele vagabundo iluminado anônimo que bloqueava a passagem na montanha, a quem nunca mais vir


Fonte:http://www.sintoniasaintgermain.com.br/contos_tibetanos19.html
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