A paz de Deus vem à mente quieta - UCEM

A paz de Deus vem à mente quieta - UCEM

"Não busque mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo" (UCEM)

"Não busque mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo" (UCEM)
O Perdão é a chave para a Felicidade... Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe. Nisso está a Paz de Deus.

Um Curso em Milagres

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quinta-feira, 9 de julho de 2009

A Paz...


Paz, em hebraico, é Shalom, e, literalmente, Shalom quer dizer: “estar inteiro”, “estar em repouso”... É então conveniente que perguntemos: o que nos impede de estarmos inteiros? O que nos impede de experimentarmos o repouso, isto é, de estarmos em paz? As respostas são múltiplas; destaco apenas as que me parecem essenciais;- O que nos impede de estarmos inteiros, de estarmos inteiramente presentes na integridade do que somos, é o medo.- O que nos permite estarmos inteiros, estarmos inteiramente presentes na integridade do que somos, é o amor. O contrário do amor, e portanto da realização do que somos, não é fundamentalmente o ódio, e sim o medo .Medo de quem? Medo de que?Medo de amar, melhor dizendo, de se perder, pois amar antes de se encontrar é perder-se. Certamente, existe toda sorte de medo: do desconhecido, do sofrimento, do abandono, da morte... Todos esses medos podem resumir-se num só: medo de ser “nada”.Este medo nos leva a esforços inimagináveis, para provarmos a nós mesmos e aos outros que somos alguma coisa e que “vale a pena” sermos amados, que o merecemos... Ser amado seria, portanto, um direito do homem?Infelizmente, este é um segredo muito bem guardado: aquele que procura ou solicita o amor jamais o encontrará... Só o encontramos no momento em que o damos... Unicamente quem ama, quem se torna amável e é capaz desse dom “gracioso” recebe o amor gratuitamente.O Amor jamais se manifesta àquele que o pede, mas se revela sem cessar a quem o doa. Aquele que compreendeu e viveu isto sente-se em paz. E também inteiro, porque só o amor nos realiza (e é o cumprimento da lei) .O medo nos “castra”, torna-nos enfermos e impede a livre circulação da vida em todos os nossos membros. E no Amor não há “membros impuros”: “Tudo é puro para aquele que é puro”; é o Amor que purifica. Amar com todo o seu ser, este é o mandamento (mitzvah), ou, mais exatamente, o “exercício” que nos é proposto: “Amarás com todo o teu coração, com todo o teu espírito, com todas as tuas forças”; isto traz também uma esperança. Um dia amarei inteiramente, não somente com o meu corpo, minha cabeça ou meu coração, mas “inteiramente”; um dia, se almejo isto sem perder a esperança, estarei em paz. Pois é suficiente desejar amar, querer amar,mesmo que ainda não seja amar... Bem sabemos que o inferno não está nos outros; o inferno é não amar, é não se amar inteiramente, até em nossa dificuldade e algumas vezes em nossa incapacidade de amar...Nesse caso, talvez seja bastante não mais querer, não mais ter medo deste medo sutil, menos grosseiro, que é o medo de não ser amado, o medo de não amar... Aquele que perdeu o medo de ser “nada” não tem mais medo de tudo; paradoxalmente, é o medo de ser nada que nos impede de ser tudo. Se aceitássemos, por um instante, este “nada” que somos, este “nada a mais e nada a menos” do que somos, então, nesse mesmo momento, não haveria mais obstáculos à revelação e ao desdobramento do Ser que ama, em nós e através de nós. Se, supostamente, ser amado é um direito do homem, ser capaz de doar é uma realização, uma graça divina concedida ao homem; a alegria de participar da Dádiva e da Vida do Ser que faz “girar a Terra, o coração humano e as demais estrelas”, generosamente...Porém, não fosse pelo fato de nos “sentirmos mal”, como seria possível aceitarmos “ser nada” quando nos sentimos ser alguma coisa? O termo “nada”pode parecer negativo; talvez fosse preciso dizer simplesmente “ser”, sem acrescentar qualquer palavra, para podermos pressentir que o que se soma ao“ser” é algo de “mental” e compreendermos melhor a palavra do Cristo, precedida pela de Buda (seis séculos antes): “O que é, é, o que não é, não é”. Tudo o que é dito a mais vem do mental ou do “mau”, ou ainda, em algumas traduções, do “mentiroso”. Sentir-se em paz é estar num corpo relaxado, com o coração livre e a mente serena. E conhecendo melhor, hoje, as funções coordenadoras do cérebro, é sem dúvida pelo mental que devemos começar. Ser nada a mais (e nada a menos) do que somos – estar em paz – pressupõe uma mente pacificada, em repouso, e é o segundo sentido da palavra shalom.Por que não estamos em repouso? Não somente há o medo de ser “nada” (ser mais ou ser menos do que somos), mas existem as lembranças, com as quais nos identificamos e que tomamos por nosso verdadeiro ser. O caminho para a paz é aquele que nos faz passar das nossas identidades provisórias, irrisórias, transitórias, para a nossa identidade essencial (eu sou o que eu sou).
Os Padres do Deserto falavam de oito logismos, ou pacotes de memórias,
com os quais nos identificamos e que nos impedem de estar em paz.
São eles:
1. Gastrimargia, ou a identificação com nossas fomes, sedes e apetites, o resultado de todas as nossas necessidades, que e somatizam, na maior parte do tempo, oralmente (bulimia, anorexia);
2. Philarguria, ou o medo de nos faltar algo, que se manifesta pela acumulação de bens inúteis; identificamo-nos e buscamos a segurança, peloque temos e pelo que possuímos;
3. Pornéia, ou a identificação com a nossa vida pulsional, com o medo de nos faltar vitalidade e desejo;
4. Org é, ou a dominação do irascível e do emocional, a cólera de não ser reconhecido como “centro do mundo”, “digno de reconhecimento e respeito”;
5. Lupé, ou a tristeza de não sermos amados como gostaríamos de ser;
6. Acedia, ou a tristeza de não sermos amados de forma alguma, o desespero diante da evidência de que nunca fomos e nunca seremos amados (a menos que cessemos de pedir e nos tornemos capazes de doar);
7. Kenodoxia, ou a vaidade e a presunção que nos identificam com a imagem que fazemos de nós mesmos, independentemente do que somos na verdade; isto só acontece com angústia, e esta é proporcional à diferença que existe entre o que somos e o que pretendemos ser;
8. Uperephania, sem dúvida, a patologia mais grave: trata-se de colocar nossa identidade ilusória como se fosse a única realidade, e tomarmos a nós mesmos por única referência e juizes do que é bom ou mau; considerar todas as coisas em relação ao prazer ou desprazer que elas nos proporcionam e fazer delas uma lei válida para todos.
Aos oito logismoï, ou pensamentos, poderíamos acrescentar muitos outros, como o ciúme, a inveja... e todas as projeções que nos impedem de ver e de aproveitar o que está no presente. Não por acaso, mais tarde, os Padres do Deserto chamaram estes pensamentos ou expressões da mente, que constituem obstáculos à apreensão simples e pacífica do que existe e do que somos, de “demônios” (shatan, que, em hebraico, quer dizer: “obstáculo”).
Em resumo, o principal obstáculo à paz, o maior dos demônios é a nossa própria mente, este reservatório de emoções passadas, que se derrama sem parar sobre o presente; este “pacote de memórias” que denominamos ego, ou eu. Quem sofre ou é infeliz é sempre o eu e nossa identificação com o que não somos realmente.
Que só o presente existe é um segredo bem guardado; o que era, não é mais; o que será, ainda não é; se vivermos eternamente em nossos arrependimentos e projetos, teremos que sofrer e passaremos ao largo do“segredo”... “Ora ao teu Pai que está aí, dentro do segredo”, na presença do que é presente. São palavras do Evangelho e também palavras de cura...
A morte não existe ainda, ela não é. Só permanece este “Eu Sou”, que existe desde sempre e para sempre. Não podemos ir para outro lugar, senão onde estamos; e onde nos encontramos aqui já estamos. Por que procurar, em outra parte, a vida e a paz que nós somos, se a paz é nossa verdadeira natureza, não está por fazer? Trata-se, primeiramente, de conferir menos importância àquilo que nos “impede” de estar em paz; depois, não lhe dar importância alguma, se quisermos; e isto significa aderir, instante após instante, ao que é, com um espírito silencioso, uma mente serena, ou melhor,não identificados com as memórias e com as emoções que essas memórias provocam.
Lembrar-se de que nossa verdadeira natureza está em paz é uma forma universal de oração. Essa rememoração de nosso ser verdadeiro encontra-se,efetivamente, na base das práticas de meditação de várias culturas ou religiões (dhikr – prática islâmica; japa – modalidade de ioga; hesicasmo –seita antiga de místicos cristãos orientais, etc.).
Temos medo de que? De perdermos a cabeça, perdermos a alma, de não sermos o que nossas memórias nos dizem que somos, não sermos coisa alguma do que pensamos ser? Perdem-se as ilusões, os pensamentos, e fica somente o medo de morrer. Se eu paro de me identificar com o que deve morrer, permaneço já naquilo que sou desde sempre.
Não pode haver outro artesão da paz que não seja aquele cujo corpo está relaxado, que tem o coração livre e a mente pacificada. Mesmo o nosso desejo de paz pode tornar-se uma tensão, um nervosismo, um obstáculo à paz, uma obrigação, um dever que se somará à infelicidade e à inquietação do mundo.
Afirmar que estamos em paz não é negar nossos medos, nossas memórias,nossos sofrimentos... é colocá-los em seus devidos lugares, na correnteinsensata e tranqüila da verdadeira Vida...
O TEXTO É DO FILÓSOFO E PADRE ORTODOXO JEAN IVES LELOUP.
partilhado por Denise.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Confie em tudo o que acontecer ( Por Roberto Shinyashiki)



Muitas vezes a dor parecerá insuportável, as perdas, insuperáveis, os obstáculos, intransponíveis. Mas, com fé e determinação, descobriremos que somos maiores que tudo isso e, no final, celebraremos nossas vitórias.Eu acredito que existe um Deus que cuida bem de nós e sabe o que faz. Eu acredito que a lógica de Deus é superior à minha capacidade de compreensão. Eu acredito que Deus nunca erra, embora, às vezes, eu não seja capaz de entender a razão de meu sofrimento. Tudo o que acontece com a gente tem um propósito, tem um porquê. Basta olhar para trás, percorrendo nossa trajetória, para perceber quanto as experiências do passado – as dolorosas e as felizes – foram importantes para que chegássemos aonde estamos hoje. Pessoas que tiveram doenças graves, um câncer, por exemplo, e precisaram fazer tratamentos dolorosos, como quimioterapia, normalmente passam a enxergar a vida de forma diferente depois que todo o sofrimento cessa. Percebem então quanto essa experiência difícil foi importante para que aprendessem muitas coisas sobre a vida que ainda não sabiam. As jornadas mais complicadas sempre são aquelas que nos trazem mais sabedoria. Como nas histórias dos heróis de todos os tempos, há sempre o momento de enfrentar o grande desafio, de encarar a caverna mais profunda de toda a jornada. É nesse instante que o herói deve provar que tem força para seguir em frente. O jornalista Mario Rosa mostra, em seu livro A Síndrome de Aquiles (Gente, 2001), uma imagem muito bonita do significado dos incêndios em nossa vida: “Quem já foi a um parque como o Yosemite, na Califórnia, teve o raro privilégio de ver de perto o maior monumento vivo do reino vegetal: as legendárias sequóias. Essas árvores alcançam alturas impressionantes e chegam a viver até 4 mil anos. É quando se está diante de um portento tão poderoso como uma sequóia, vendo-a viva, tocando essa testemunha da História de nosso planeta, que quarenta séculos de vida deixam de ser apenas um número e passam a evocar uma forte emoção e algumas reflexões. Uma sequóia já estava naquele mesmo lugar há 2 mil anos, quando Jesus nasceu. Quando a civilização egípcia estava terminando a construção da Grande Pirâmide de Gizé, as sequóias que hoje vemos vivas e pujantes já haviam brotado da terra. Se compararmos a duração da vida de uma sequóia com a de um ser humano, descobriremos que cinco anos dessa árvore representam em relação ao todo de sua existência o mesmo que um mês significa para um ser humano. Assim, a explosão nuclear que devastou Hiroshima e Nagasaki e pôs fim à Segunda Guerra Mundial, vista sob a perspectiva da vida de uma sequóia, ocorreu não faz um ano. O fim da Guerra do Vietnã se deu no semestre passado. E a morte de Lady Di, há dois fins de semana. Intrigados com tanta força e resistência, os cientistas, com o passar do tempo, foram descobrindo os fatores que fazem com que as sequóias sejam esse fenômeno de sobrevivência. Um dos segredos da vida de uma sequóia é o fato de que, por ser tão alta, atrai raios durante as tempestades. São justamente os raios que provocam incêndios que, por sua vez, destroem os galhos mais pesados da árvore, possibilitando-lhe que concentre sua seiva nos galhos realmente indispensáveis. Em sua vida, raios, tempestades e incêndios são crises que, em vez de destruição, permitem purificação. Fazem com que ela não desperdice seiva, concentrando-se nos ramos essenciais. Isso permite que continue crescendo. E sobrevivendo”. Tal como as sequóias, nós somos seres com poderes infinitos, precisamos apenas que alguns raios nos ataquem para conhecermos nossa força. Muitas vezes a dor parecerá insuportável, as perdas, insuperáveis, os obstáculos, intransponíveis. Mas, com fé e determinação, descobriremos que somos maiores que tudo isso e, no final, celebraremos nossas vitórias.
Roberto Shinyashiki é psiquiatra, palestrante e autor de 13 títulos, entre eles: Os Segredos dos Campeões, Tudo ou Nada, Heróis de Verdade, Amar Pode Dar Certo, O Sucesso é Ser Feliz e A Carícia Essencial (www.clubedoscampeoes.com.br)

terça-feira, 2 de junho de 2009

Artigo de Bioética, do Padre Leo Pessini, do Centro Universitário São Camilo

Foto by Simone Bilhalva

“Para tudo há um tempo debaixo dos céus: tempo para nascer, e tempo para morrer;tempo para chorar e tempo para rir; tempo para calar e tempo para falar”... Ecle 3,1-5 “O tempo pode ser medido com as batidas de um relógio ou pode ser medido com as batidas do coração” Rubem Alves Ouvimos no dia a dia expressões como estas: “não tenho tempo”, “não dá tempo”, “o tempo não passa”... “perdi o tempo da minha vida.” Com saudades de algo no passado ouvimos “ ah, no meu tempo...era diferente e muito melhor”. Enfim, o senhor tempo... Estas expressões me levam a propor algumas reflexões em termos de como trabalhamos com a dimensão da temporalidade da vida humana, e com o tempo no dia a dia.Existem duas formas de vivermos o tempo na vida: como cronos ou kairós. Ao tentar refletir sobre esta realidade, corro o risco de ser tachado de “romântico ou idealista incorrigível” num contexto em que as forças do mercado globalizado repetem de forma insistente e dogmática, de forma subliminar de que “tempo é dinheiro”. Conseqüentemente, estamos sempre sem tempo, estressados e correndo sem saber onde chegar! Mas vamos em frente! Cronos é o “tempo das batidas do relógio”, a marca implacável da finitude e temporalidade humana no processo de envelhecimento de nosso corpo.Trata-se do tempo de quem está tenso no hospital esperando por ter alta ou com angústia esperando por um resultado positivo de um determinado diagnóstico, ou o tempo urgente para salvar a vida de alguém numa parada cárdio-respiratória na emergência, entre tantas outras situações. Nesta dimensão de tempo, lutamos contra, nos sentimos facilmente vítimas dele, pois em geral chegamos sempre atrasados e o tratamos como se fosse um inimigo.Facilmente esquecemos que a temporalidade é constitutiva da existência humana. Caso acumular anos fosse somente uma série de momentos isolados, então poderíamos escolher aqueles que nos seriam mais significativos. Precisamos questionar a ideologia dos que elegem somente uma parte de suas vidas como significativa. Por exemplo, hoje se afirma que todo o sentido da vida se encontra na busca da eterna juventude. Nesta perspectiva passamos a gostar somente do tempo da juventude, a desconfiar do tempo de adultos e a simplesmente detestar e rejeitar o tempo que marca o outono de nossa vida, ou seja da velhice. Expressões como “estou com oitenta 80 anos, mas tenho espírito jovem”, não denuncia um pouco esta mentalidade de não assumir plenamente a sabedoria da vida na maturidade dos anos? Mesmo sendo igual para todos - um minuto é sempre um minuto - este é percebido subjetivamente de forma diferente para cada pessoa. Comentamos com freqüência que o tempo demora demais em passar ou que passa rápido demais. Uma mensagem interessante em relação a esta percepção do tempo diz o seguinte:“Para perceber o valor de um ano pergunte ao estudante que repetiu o ano.Para perceber o valor de um mês, pergunte para a mãe que teve o bebê prematuramente.Para perceber o valor de uma semana, pergunte ao editor de uma revista semanal.Para perceber o valor de uma hora, pergunte aos namorados que estão esperando para se encontrar.Para perceber o valor de um minuto, pergunto para a pessoa que perdeu o avião.Para perceber o valor de um segundo, pergunte a uma pessoa que conseguiu evitar um acidente.Para perceber o valor de um milésimo de segundo pergunte ao piloto que ganhou uma prova de Fórmula Um”.Qual o segredo desta valorização do tempo, se as batidas do relógio, em termos de hora, minuto ou segundo são rigorosamente iguais para que quem o percebe passando rápido ou demorando demais?Claro que somos filhos(as) do tempo, vivemos no Cronos, mas não somos simplesmente vítimas do processo de envelhecimento. Podemos fazer diferença cultivando uma atitude positiva que depende exclusivamente de nós. É preciso fazer acontecer a dimensão do kairós. O tempo, como kairós, isto é, como experiência da graça maior que plenifica a vida e lhe dá sentido. É o tempo que abraça a vida “como um caso de amor”, de uma experiência profunda de paz, de reencontro e de reconciliação, consigo mesmo, com os outros e com o grande outro, Deus. É o tempo medido “com as batidas do coração”, como diz Rubem Alves. Aqui, mais do que lamúrias por não ter vivido, ou por falta de tempo, vamos encontrar pessoas com histórias fantásticas de sentido de tempo.A dimensão do cronos é significada pelo kairós. “Nossa, já se passaram três horas e nem percebi...”. É o tempo do amor, do encontro que plenifica o viver. É a vivência da sabedoria de perder tempo com o que é essencial na vida. Como no livro do Pequeno Príncipe, quando a raposa diz ao príncipe: “foi o tempo que perdeste com tua rosa que fez tua rosa tão importante”. Uma verdade esquecida entre os humanos. É preciso lembrar que nos tornamos eternamente responsáveis por quem cativamos. Nesta dinâmica, bastam por vezes apenas cinco minutos de encontro com alguém, para que oitenta anos ou mais de cronos adquiram significado, luz e sentido. Na perspectiva do Kairós, temos como tarefa amar a vida marcada pelo tempo, seja o ser ainda sem as marcas do tempo, como no caso um bebê em gestação, o tempo do adolescente rebelde, o tempo do jovem idealista , o tempo do adulto responsável, e por quê não o tempo na velhice. É aceitar e acolher a vida aos 4 anos, aos 20, aos 40 ou aos 80 anos ou mais de idade.Estamos, portanto, diante de uma realidade em que temos que optar: viver sob o signo do cronos ou de kairós? Se alguém ou algo é realmente importante, então consequentemente o tempo tem que ser a prioridade, seja no dia a dia de nossas vidas, seja na convivência familiar ou no âmbito profissional. O tempo do encontro torna-se terapêutico quando optamos por vivenciá-lo na dimensão do kairós. Então, sejamos nós profissionais da saúde atuando na emergência, atendendo uma parada cardíaca, ou na UTI, ou em consulta num ambulatório orientando idosos, ou ao lado de quem esteja na fase final da vida, estaremos fazendo diferença, humanizando e sendo humanizados. Assim agindo nos tornaremos mestres do tempo, pois, mais do que acrescentar anos à vida, processo normal do Cronos, estaremos acrescentando vida aos anos, o que significa assumir a dimensão Kairótica, ou seja, de viver em estado de graça.


Video: Tempo: Padre e Professor Leo Pessini


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