A paz de Deus vem à mente quieta - UCEM

A paz de Deus vem à mente quieta - UCEM

"Não busque mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo" (UCEM)

"Não busque mudar o mundo, mas escolhe mudar a tua mente sobre o mundo" (UCEM)
O Perdão é a chave para a Felicidade... Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe. Nisso está a Paz de Deus.

Um Curso em Milagres

terça-feira, 11 de agosto de 2009

ESTACAS MENTAIS

Uma caravana de camelos atravessava o deserto. Chegou à hora do descanso e o cameleiro preparava-se como habitualmente para prender os camelos às estacas quando verificou que faltava uma estaca . Não sabendo como resolver o problema, perguntou ao mestre da caravana: - Mestre, falta-me uma estaca para um camelo. Como fazer? - Não tenhas problema. Eles estão tão habituados a ficar preso que se tu fingires que o atas com a corda, ele pensará que está preso e nem sequer tentará sair do sitio. O cameleiro assim fez e o camelo ali ficou toda à noite. No dia seguinte quando se preparavam para partir esse camelo simplesmente recusou-se a sair do sítio, mesmo quando o cameleiro o puxava com toda a força. Sem saber que atitude tomar, dirigiu-se de novo ao mestre contando-lhe o sucedido. - Homem, respondeu-lhe o mestre. Que fizeste ontem? Não fingiste que o ataste à estaca? Então faz o mesmo hoje. Finge que o desamarras. O camelo, mal o cameleiro fingiu que o desatava da estaca imaginária, recomeçou a caminhada.
Muitas vezes não avançamos devido às nossas "estacas mentais". É o desconforto da acomodação.

Fonte: Solemio


Gratidão à querida amiga Eliane


"O desapego divino se manifesta quando o eu inferior se afasta do drama que ele mesmo criou e permite que o eu superior observe e comente esse drama com clareza e sem emoções; honestamente, sem hesitação, de modo completo e irrestrito. Você vai saber quando esse processo está funcionando para você, porque não haverá mais nenhuma negatividade, julgamentos, raiva, vergonha, culpa, medo, recriminação, nem sensação de ter sido enganado. Haverá somente uma afirmação simples acerca das coisas reais. E essa afirmação pode construir uma grande iluminação!"Neale Donald Walsh, no livro Conversando com Deus

De cada evento de minha vida, dentro de meus relacionamentos, tenho procurado entender a lição contida. E a maior delas, talvez a mais difícil, é sempre a aceitação. Aceitar o outro como ele é. Enxergar e saber separar dentro dos fatos, o que é real e o que é imaginação, ou seja, o fato em si, o que é realidade e o que pode ser reflexo do que já vivi nesta vida, ou mesmo em outras etapas reencarnatórias.
Muitas vezes ficamos parados em uma circunstância dramática que estamos vivendo, esquecendo de olhar para os outros aspectos positivos. Aquilo que nos tira a paz de espírito é sempre culpa de algo ou alguém, menos nossa. Não fomos treinados para olhar o fato e encarar o aprendizado por trás dele, e ver o que é tão óbvio: se está acontecendo comigo... sou eu que tenho que aprender alguma coisa. Negamos e ficamos na dor. Isso nos limita gerando uma enorme dor emocional. Iludimo-nos e tornamos nossa visão ainda mais estreita. Um exemplo muito comum disso é julgar uma pessoa que possui inúmeras qualidades e atitudes positivas, apenas por uma que achamos inadequada. Muitas vezes é alguém com um enorme currículo positivo, mas que será lembrado somente por algo de errado (aos nossos olhos) que cometeu. A negação da nossa responsabilidade destrói a realidade positiva e quando escolhemos ficar nela, acreditamos que aquilo que estamos sentindo, vendo ou pensando é a verdade. Percebemos apenas aquilo que queremos ver ou acreditar e ficamos na posição de vítimas, mas nunca na de algozes. É muito mais confortável, não resta dúvida, porém, menos construtivo!
Olhar a vida através de lente imaginária nos apresenta uma realidade distorcida, aquela que não aceita a responsabilidade, os fatos e pessoas como realmente são, e ficamos perturbados. Se realmente praticarmos a fé que dizemos ter, alcançaremos um entendimento misericordioso, aquele que sabe que tudo acontece exatamente como deve acontecer. Colocamos nossa fé acima de qualquer obstáculo, aceitamos a vida e aproveitamos o aprendizado . Nada pode nos trazer mais paz e serenidade que essa atitude positiva. Qualquer outra será sempre a de tentar manipular e controlar a própria criação divina. Aceitar é reconhecer a realidade e sair da ilusão autocriada. "Entrega-te ao Caminho Interno sem racionalizar. Procura sentir as energias e entender com o coração os "sinais" que tua alma envia".Mestre El Morya, do livro Mensagens dos Mestres.

O que está por trás do meu “Vício Físico"?


O que está por trás do meu “Vício Físico"?

P: Eu só gostaria de saber o que o Curso diz em relação a vícios? Eu sou viciado em cigarros e para mim tem sido impossível parar de fumar. Eu sei que isso soa negativo, mas tenho tentado de tudo: pensamentos positivos, grupos de apoio e tudo mais. Uma parte de mim me culpa pela minha falta de controle ou força de vontade. É realmente assim? I sinto como se tivesse algo mais sobre isso. Sinto como se a minha batalha com o cigarro representasse a minha batalha com a minha mente do ego. Eu estava pensando se você teria alguma luz em relação a vícios. Muito obrigado por tudo que você nos tem dado. Você realmente é uma bênção.Com Amor.
R: Amado Milagre é são função adição.
Limpar o caminho para a paz interior significa expor e liberar a crença no vício. O que parece ser um vício físico como, por exemplo, fumar é sempre um sintoma do vício mental de julgamento, e a liberação do julgamento é a liberação do ego. O julgamento sempre envolve conceitos e comparações, e este cosmos inteiro é construído sobre a premissa do julgamento. O Ser Que Deus criou Único está além do julgamento, pois o que há para se comparar em Pura Unicidade que é Imutavelmente Eterno? Todos os julgamentos específicos são uma tentativa de avaliar o Ser, porém o Ser que Deus criou está além da possibilidade de avaliação.A Totalidade é eternamente completa. A crença na carência, portanto, é uma crença no vício. O que parece ser vícios físicos são encobrimentos ou distrações para não olhar para dentro e passar pelo medo até alcançar o Amor interior. Enquanto muitos estão cientes que vício passam a sensação de miséria, o medo de olhar para dentro parece ser mais assustador para uma mente adormecida do que o pensamento de manter o vício. Porém quando a mente está disposta e pronta, sentimentos há muito represados são permitidos entrar na consciência... e podem ser atravessados e liberados. Esta é a abertura para a cura, e a cura é o sinônimo de liberação do julgamento.Conforme o Coração se abre o Amor interior é revelado. Onde uma vez acreditava-se que o coração precisava de proteção repentinamente é visto que o Coração se revela na extensão. E com esta abertura o Amor escorre e flui sem limites ou condições, e a lembrança do Verdadeiro Amor, sempre estendendo Amor, é restaurada na consciência. Pois o Amor nunca está ausente... a única escolha é estar ou não ciente do Amor.Livre Arbítrio é livre para sempre e Uno com Deus. Escolha e julgamento surgem com a crença que foi possível separar-se. A premissa de qualquer “escolha” é dualidade, e a Expiação ou Correção do erro vê a impossibilidade da dualidade. O que é Uno agora é Uno para sempre e nunca pode ser separado. Conforme a mente olha para dentro, ela é Levada para além do medo e da culpa que uma vez ela procurou esconder e proteger, e Levada adiante até a Luz.Eu estou unido com você na experiência interior da Luz do Amor. Quando a jornada interior parece intensa e assustadora, lembre-se... isto também irá passar. O valor da liberação do erro é a determinação. E êxtase do Ser, livre de julgamentos e pensamentos viciosos, é indizivelmente Glorioso. Um brinde à busca interior. Um brinde ao Desapego!Amor e Bênçãos sempre.Fonte: http://www.um-curso-em-milagres.info/

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Viver o Amor

"O amor real é vivido quando não existem condições. Ao existir condição, existirá força. Mas aonde existe amor, nada pode ser forçado. Condições existem apenas onde há divisão. Força é usada onde há dualidade, a idéia de 'eu' e 'você'. Você usa a força por perceber o outro como sendo diferente de você. Mas força não pode ser aplicada quando só existe Um. A própria idéia de força desaparece neste estado. Então, você somente é. A Força Universal corre através de você, você se torna uma passagem aberta. Você deixa a Consciência Suprema tomar conta de você. Você remove os apegos criados por você mesmo, deixando que a corrente do Amor todo-penetrante passe pelo seu curso natural."
Amma



"Sombra é aquilo que possibilita que a Luz se manifeste, e lhe dá uma realidade objetiva. Portanto, a Sombra não é um mal, mas o corolário necessário e indispensável que completa a Luz ou o Bem; é o seu criador na Terra. "

A DOUTRINA SECRETA, I, 225
HELENA PETROVNA BLAVATSKY


Gratidão ao amigo Deluca

domingo, 9 de agosto de 2009

PAZ


A noite escura da alma - Pela Monja Isshin

foto by simone Bilhalva

Encontrei uma expressão Chan (Zen chinês) que diz:
"Grande dúvida, grande iluminação.Pequena dúvida, pequena iluminação.Nenhuma dúvida, nenhuma iluminação."
A tradição nos ensina que existem três pre-requisitos para a prática verdadeira: Grande Dúvida, Grande Fé e Grande Determinação.
1. Grande Dúvida
A maioria das pessoas chegam à prática espiritual motivada por um sofrimento que deu origem a um questionamento. Quase sempre, a pessoa está fazendo uma pergunta do tipo "Por que está acontecendo 'x'?" ou "Por que eu?"
Muitas destas pessoas nem dão continuidade num centro de prática séria, e vão embora depois de uma, duas - algumas - visitas. Outras pessoas, depois de algumas sessões de meditação, sentindo algum alívio do problema imediato que as trouxeram até o zazen, já relaxam os seus questionamentos. Talvez até se tornem associadas, até venham a se considerar "praticantes". Mas a verdade é: não chegaram a fazer a pergunta essencial, não se abriram para a "Grande Dúvida" e, assim, ainda não entraram realmente no caminho espiritual.
Algumas poucas pessoas, ao passar por uma situação de dificuldade, acabam aprofundando as perguntas iniciais ("Por que eu?", "Por que está acontecendo 'x'?") para começar a questionar: "Quem sou eu?", "Qual é o significado da minha vida?", "Qual o sentido da vida e da morte?".
Estas são perguntas da "Grande Dúvida" - o início da caminhada espiritual. A tradição Rinzai Zen usa os 'koans' para provocar a Grande Dúvida. Quanto mais intensamente se vivencie a Grande Dúvida, tanto maior será a "iluminação" obtida. Acredito que, na nossa realidade de seres humanos, as nossas "iluminações" são, na verdade, "pequenas iluminações", pois a diferença entre "ter uma ou algumas experiências de iluminação" e "se tornar uma pessoa iluminada", ou "se tornar uma pessoa que manifeste plenamente a sua iluminação", é igual a diferença entre água e vinho.
Os mestres também nos ensinam que aquela pessoa que se acha "iluminada", não é. Ainda nos ensinam que a prática deve ser constante e pelo resto da vida - e próximas vidas, também.
Portanto, sempre que acreditamos que encontramos uma resposta à "Grande Dúvida", é importante que recoloquemos a pergunta e sigamos além, além da resposta atual, além da nossa compreensão deste momento, sempre além, sempre nos aprofundando mais e mais.
O grande perigo aqui está em achar que encontramos "A Resposta" e que a "Grande Dúvida" já acabou. Vamos cair numa complacência, arrogância - talvez até nos posicionando como prontos para liderar outras pessoas, mas, na realidade, estamos nos iludindo e iludindo os outros. De certa forma, a nossa caminhada espiritual foi abandonada. O nosso Zazen se tornou um zazen de conforto, um zazen de consumo. Sempre podemos encontrar mais um pedaço da resposta à "Grande Dúvida".
Mas, vamos dizer que você está com o seu questionamento "à flor da pele". Entrou no caminho espiritual e iniciou uma prática. Aí surge a questão da fé.
2. Grande Fé
O segundo elemento essencial a uma boa prática é uma "Grande Fé". Fé na prática, fé nos ensinamentos, fé no professor - um ser humano, com falhas humanas, que tem mais experiência no Caminho e algum tanto de "iluminação" manifestada. E, mais ainda, fé na sua possibilidade de poder manifestar a sua própria iluminação, de encontrar a "resposta" de sua Grande Dúvida.
Inicialmente, pode ser que parte desta fé você encontre depositando fé nos outros. Você gostou e confia no seu Professor de Dharma. Ou admira um praticante budista e confia nele. Mas os seres humanos são literalmente isto - seres humanos, sujeitos a falhas. Podem nos desiludir. Mais ainda, uma das funções dos Professores de Dharma é de "puxar o tapete" debaixo de nossos pés. Podem até nos provocar, fazendo com que manifestemos a nossa "sombra", na esperança de que possamos "iluminar" este aspecto nosso que foi trazido à luz. Nestas horas, podemos até nos sentir "traídos" pelo Professor, enquanto não estamos compreendendo o que ele está tentando nos ensinar. Portanto, temos que ir além desta fé inicial, depositada em seres humanos externos à nos mesmos. De um lado, temos que amadurecer e aprofundar a nossa fé no Professor e outros seres humanos, temperando-a com fé nos ensinamentos e no próprio Dharma - passo-por-passo.
E os ensinamentos, que foram transmitidos já durante 2.600 anos - podemos depositar fé neles? Podemos, mas isto também tem suas limitações, pois a transmissão dos ensinamentos depende da comunicação e das palavras, sempre sujeitas às mais variadas interpretações. Transcrições de diálogos entre grandes mestres e os seus alunos não nos transmitem o contexto, o cenário, todos os detalhes que fizeram com que aquelas palavras fossem as mais apropriadas para aquele aluno naquele momento.
No Zen encontramos inúmeros exemplos de professores que, num momento dizem uma coisa e, em outro momento, dizem exatamente o contrário. Será que estão mentindo? Será que são loucos? Ou será que estão simplesmente falando exatamente aquilo que é mais apropriado para aquele momento, aquele contexto, aquele aluno - para convidá-lo a tomar o próximo passo de aprendizagem? Como alunos do Zen, existem momentos que podemos nos desesperar com um professor que parece estar se contradizendo. Como é forte, nestes momentos, o sentimento de "mas você não falou 'x' antes? Por que está falando 'y' agora? Qual é a verdade, 'x' ou 'y'?"
Conheço uma mestra moderna que faz isto o tempo todo. Será que ela é louca? Não acho, não. Acho que ela está simplesmente me desafiando a mergulhar para dentro e encontrar a MINHA verdade - e desafiando outras pessoas com quem ela faz a mesma coisa a fazer o mesmo mergulho para dentro. Não é um processo fácil. Mas certamente me oferece a oportunidade de me aprofundar na fé verdadeira que preciso cultivar - a Grande Fé. Fé na minha própria Natureza Buda, fé no Universo, fé no Dharma, fé na minha prática, fé em mim mesma. Fé para atravesar a noite escura da alma - ou as noites escuras da alma. É aí que entra o terceiro pre-requisito da prática.
3. Grande Determinação
Sem a Grande Determinação, não vamos conseguir atravessar a noite escura. Se falhar a nossa determinação, vamos acabar "voltando para trás" em lugar de completar esta etapa da jornada. Não vamos chegar até o raiar do novo dia, aquele pedaço de Iluminação que seria resultado de nosso questionamento, fé e determinação.
Se a nossa determinação for fraca, vamos falhar. Se a nossa determinação depende de outras pessoas para nos apoiar, vamos falhar. Pois a noite escura da alma é exatamente isto. É um momento em que nos sentimos totalmente sós - a nossa dúvida nos consumindo, a auto-confiança cambaleada, a nossa fé no limite - só vemos escuridão e é somente a nossa determinação que nos segura no caminho. Afinal, o momento mais escuro da noite é o momento anterior ao nascer do Sol. E é a mesma coisa na jornada espiritual.
Se iniciamos a jornada com uma pequena dúvida, a noite escura vai ser "pequena" e o raiar do Sol também. Mas se o nosso primeiro passo foi baseado numa GRANDE Dúvida, a noite escura vai ser igualmente GRANDE. A crise - mistura de perigo com oportunidade - vai ser GRANDE. Para atravessar esta noite escura, vamos ter que descobrir, dentro de nós, fé da mesma grandeza e, por fim, GRANDE Determinação - talvez aquela determinação que diz: "mesmo que perca tudo, não arredo o pé daqui", "mesmo que eu tenha que morrer tentando, não desisto", "mesmo que estejam todos me chamando de louco, não saio deste caminho", "mesmo que todos os meus amigos me abandonem, não abro mão". Talvez a vida vá nos exigir uma entrega total, a "morte simbólica", morte do ego, morte para tudo que pensávamos que importava. Mas, na realidade, a vida está nos convidando a passar pela morte dos condicionamentos - nos convidando à Libertação.
No meio da noite escura da alma passamos por uma fase de ficar só enxergando as perdas, as "mortes". Talvez percamos contato com a nossa fé. Talvez nos entreguemos ao medo. Talvez não resistamos às pressões e voltemos correndo, tentando voltar à nossa zona de conforto anterior, voltar à harmonia conhecida, voltar às amizades e relacionamentos antigos que não queremos arriscar perder, buscando apoio externo na falta de nosso próprio apoio interno. Quantas e quantas pessoas fraquejam neste ponto, justo quando estão quase lá, quase vencendo esta fase da jornada. Que tristeza! É como se vendessem a alma, caissem em "tentação".
É por isto que todas as tradições espirituais falam da dificuldade da jornada. Todas as tradições espirituais têm a sua forma de descrever o processo de passar pela "noite escura da alma". Algumas tradições xamânicas ou indígenas usam "jornadas interiores" indo ao encontro da morte e renascimento simbólicos, desmembramento e "re-membramento" simbólicos, para facilitar esta passagem. A tradição budista nos fala da determinação de Buda quando ele sentou embaixo da figueira, decidido a não se levantar dali até que encontrasse a resposta, a Iluminação. Fala, em linguagem simbólica, dos ninhos que pássaros construiram em seu cabelo, das teias que as aranhas teceram, das plantinhas que cresceram entre os dedos dos seus pé - tudo para nos ajudar a imaginar uma determinação tão firme, inquebrantável, que permitisse que ficasse lá - sentado em meditação - o tempo suficiente e com a "imobilidade" - firmeza de propósito - suficiente para atingir a Iluminação.
Lembro-me de momentos de dúvida (dúvidas que pareciam bastante grandes para mim, na época), onde toda a minha fé foi posta à prova e onde parecia que a minha determinação não ia agüentar - e lembro-me dos raiares do Sol que vieram no final daquelas noites escuras da alma. Não posso dizer que eu tenha atingindo qualquer GRANDE Iluminação, mas com certeza, sinto que posso dizer que cheguei em algumas pequenas iluminações, de acordo com a minha capacidade de ter uma dúvida, de cultivar a fé e de achar dentro de mim mesma a determinação de prosseguir até a hora do Sol nascer.
Como será que isto vai acontecer? Como será o momento da virada, de uma pequena iluminação? Vai ser o seu momento, único, totalmente diferente dos meus momentos - e nem para mim um momento será igual ao outro. Só posso compartilhar que, para mim, a virada vinha muitas vezes quando eu finalmente parava de lutar contra os acontecimentos e me entregava totalmente. Sabia que a gente tem todo o direito de espernear e reclamar tudo que quiser neste universo? Só que o Dharma simplesmente vai continuar procurando nos ensinar. Então não precisa se sentir culpado por passar por uma fase de "briga com o universo" antes de chegar numa entrega! Outras vezes, a virada veio quando finalmente percebi a "comédia dos absurdos" numa situação e caí nas gargalhadas, de corpo e alma. De qualquer forma, a virada vinha quando algo dentro de mim mudou. A mudança nunca vinha de fora, só de dentro. Este que é o detalhe importante: a mudança tem que vir de dentro.
A noite passa. O novo dia nasce. A Luz retorna. Portanto, se você estiver atravessando uma noite escura da alma, não abra mão de sua fé, não vacile na sua determinação. Não tente voltar ao "conforto" ou "harmonia" ou "segurança" anterior. Se, no seu coração você sabe que está ouvindo a voz de sua Natureza Buda, prossiga firme. Mergulhe, deixe que a Grande Dúvida lhe "consuma" até os ossos, até a medula, até restar somente o grande Vazio. Estique a sua fé, mantenha a sua determinação - e atinja mais um pedaço da Iluminação. O importante é de sempre manter-se firme na busca de Sabedoria e Compaixão.
Se você está com mais Sabedoria e Compaixão, mais Paz e Tranqüilidade no "dia seguinte", saberá que atravessou a noite. Mas, se está com alguma raiva, algum mal-estar, alguma inquietação, saberá que ainda não terminou a travessia ou, pior, saberá que desistiu no meio do caminho e voltou para trás. Mesmo assim, não perca esperanças, não se critique, não se julgue. Você fez o seu melhor. Aprenda com o processo. Veja onde "falhou", onde "errou" e comece de novo. A vida sempre nos oferece novas oportunidades. Temos todo o tempo do universo para nos iluminar - kalpas e kalpas estão à nossa disposição!
Então, não tenha medo. A noite passa.
Que os méritos de nossa prática se estendam a todos os seres e que possamos todos nos tornar o Caminho Iluminado.
Gassho.
Recomendado: The dark night of the soul, de Loreena McKennitt;





video:


sábado, 8 de agosto de 2009


Angústia


"Em primeiro lugar,quando você sentir angústia,você sentirá um tremendo tormento,uma profunda depressão... - um abismo insondável se abrindo diante de você,e você caindo nele.É terrível no começo, mas somente no começo.
Se você puder ser paciente,só um pouquinho paciente, e permitir o que quer que aconteça, logo, logo, você ficará ciente de uma nova qualidade em seu ser: tudo o que está acontecendo está ao seu redor, não está acontecendo em você. É algo externo, não interno.Até mesmo sua própria mente é algo do exterior.
No centro mais recôndito, há somente uma coisa. Esta coisa é: o testemunhar, a observação, a atenção, a consciência.E é a isso que eu chamo de meditação.
Sem a angústia você não pode meditar.Você tem de passar através do fogo da angústia. Ele queimará o lixo e o deixará mais limpo e rejuvenescido.
E o seu ser não está muito distante.Ele está aí, muito perto, mas simplesmente o zumbido de todos os pensamentos não lhe permite ouvi-lo, vê-lo, senti-lo.
A angústia é a indagação dentro da própria pessoa,pondo a interrogação nela mesma.
Vocês têm perguntado coisas como 'quem é Deus?' e 'quem criou o mundo?'. Todas essas perguntas são apenas para mentes retardadas.
Uma mente madura tem somente uma questão. Nem mesmo duas, apenas uma única questão:'Quem sou eu?'.E isso também você não tem de perguntar verbalmente, você tem apenas de estar no estado de questionamento. Você não tem de repetir 'quem sou eu?', você tem apenas de estar presente, atento, olhando... não perguntando verbalmente, mas perguntando existencialmente.
E essa questão existencial é terrível no começo, dolorosa no começo, mas traz todas as bênçãos no final.


Gautama, O Buda, disse: 'Meu caminho no começo é amargo, mas no fim é muito doce'.Que caminho? Ele não está falando sobre a religião budista - embora seja dessa forma que os monges budistas irão interpretar. Ele está falando sobre o caminho do qual eu estou falando - o caminho que o leva para dentro.
Sim, ele é amargo no começo, mas doce no fim. Ele é como a morte no começo e é a vida eterna no fim.
E todas as bênçãos da existência são suas.Você fica tão abençoadoque pode abençoar toda a existência.Esse é o significado da palavra 'Bhagwan': O Abençoado. O Abençoado nasce da dor aguda da angústia."
- OSHO -


Gratidão ao amigo Deluca


Regras para decisões


1. As decisões são contínuas. Não é sempre que sabes quando as estás tomando. Mas, com um pouco de prática com aquelas que reconheces, começa a se formar um padrão que te conduz através do resto. Não é sábio deixar-te ficar demasiadamente preocupado com cada passo que dás. O padrão adequado, adotado conscientemente a cada vez que despertas, vai fazer com que avances bem. E se achares que a tua resistência é muito forte e que a tua dedicação é pouca, não estás pronto. Não lutes contigo mesmo. Mas, pensa no tipo de dia que queres, e dize a ti mesmo que há um caminho no qual esse dia pode acontecer exatamente assim. Então, tenta mais uma vez ter o dia que queres.(1) O enfoque começa com o seguinte:“Hoje, eu não tomarei decisões por minha conta”.Isso significa que estás optando por não seres o juiz do que fazer. Mas também tem que significar que não julgarás as situações às quais serás chamado a responder. Pois se as julgares, terás estabelecido as regras segundo as quais deves reagir nelas. E nesse caso uma outra resposta não pode produzir senão confusão, incerteza e medo.3. Esse é o teu maior problema agora. Ainda tomas a tua decisão e então resolves perguntar o que deves fazer. E o que ouves pode não resolver o problema da maneira como o encaraste a princípio. Isso conduz ao medo, porque contradiz o que percebes e assim te sentes atacado. E, portanto, com raiva. Existem regras através das quais isso não acontecerá. Mas de fato ocorre a princípio, enquanto ainda estás aprendendo como ouvir.4. (2) Durante todo o dia, a qualquer momento em que penses a respeito disso e tenhas um momento quieto para reflexão, dize mais uma vez a ti mesmo qual é o tipo de dia que queres, os sentimentos que queres ter, as coisas que queres que te aconteçam e as coisas que queres experimentar e dize:Se eu não tomar nenhuma decisão por mim mesmo, esse é o dia que me será dado.Estes dois procedimentos, bem praticados, servirão para permitir que sejas orientado sem medo, pois a oposição não surgirá em primeiro lugar e, portanto, não poderá vir a ser um problema em si mesma.5. Mas ainda assim existirão momentos nos quais já terás julgado. Agora, a resposta irá provocar ataque, a não ser que rapidamente endireites a tua mente a ponto de quereres uma resposta que funcione. Certifica-te de que foi isso o que ocorreu, caso não te sintas disposto a sentar-te e pedir que a resposta te seja dada. Isso significa que já te decidiste por conta própria e não podes ver a questão. Agora, precisas de uma rápida restauração, antes de perguntares outra vez.6. (3) Lembra mais uma vez do dia que queres e reconhece que alguma coisa ocorreu que não é parte dele. Então, reconhece que colocaste uma pergunta por conta própria e necessariamente estabeleceste uma resposta nos teus próprios termos. Então, dize:“Eu não tenho nenhuma pergunta. Eu esqueci o que decidir.”Isso anula os termos que estabeleceste e deixa que a resposta te mostre qual foi realmente a questão.7. Tenta observar essa regra sem demora, apesar da tua resistência a ela. Pois já ficaste com raiva. E o teu medo de receber uma resposta diferente do que a tua versão da pergunta pede crescerá em velocidade proporcional ao tempo, até que acredites que o dia que queres é aquele no qual consegues a tua resposta para a tua pergunta. E não a conseguirás, pois ela destruiria o dia por roubar-te aquilo que realmente queres. Isso pode ser muito difícil de ser reconhecido, uma vez que já tenhas decidido por tua própria conta as regras que te prometem um dia feliz. Entretanto, essa decisão ainda pode ser desfeita, por meio de métodos simples que podes aceitar.8. (4) Se estás tão pouco disposto a receber que não podes sequer abrir mão da tua pergunta, podes começar a mudar a tua mente com isso:“Pelo menos, eu posso decidir que não gosto do que sinto agora.”Isso é óbvio, e prepara o caminho para o próximo passo que se torna fácil.9. (5) Tendo decidido que não gostas do modo como te sentes, o que poderia ser mais fácil do que continuar com:“E assim eu espero ter estado errado”Isso funciona contra o senso de resistência e lembra-te que a ajuda não está sendo imposta a ti, mas é algo que queres e da qual necessitas porque não gostas da maneira como te sentes. Essa abertura diminuta será suficiente para permitir que vás adiante com apenas mais alguns poucos passos que precisas dar para que te permitas ser ajudado.10. Agora atingiste o momento da decisão, porque te ocorreu que sairás ganhando se o que decidiste não for assim. Até que esse ponto seja alcançado; acreditarás que a tua felicidade depende de estares certo. Mas esse tanto de razão já atingiste: viste que estarias melhor caso estivesses errado.11. (6) Esse diminuto grão de sabedoria bastará para levar-te adiante. Não és obrigado a nada, mas simplesmente esperas receber uma coisa que queres. E podes dizer com perfeita honestidade:“Quero um outro modo de olhar para isso”Agora mudaste a tua mente a respeito do dia e lembraste do que realmente queres. O propósito que ele tem não mais é obscurecido pela crença insana segundo a qual o queres com a meta de estares certo, quando estás errado. Assim, o fato de estares pronto para pedir é trazido à tua consciência, pois não podes estar em conflito quando pedes o que queres e vês que é isso que pedes.12. (7) Esse passo final não é senão o reconhecimento da ausência de resistência para receberes ajuda. É a declaração de uma mente aberta, que ainda não está certa, mas está disposta que lhe mostrem algo:“Talvez haja um outro modo de olhar para isso.O que posso perder por perguntar?”Assim podes agora colocar uma pergunta que faz sentido e assim a resposta também fará sentido. Tampouco lutarás contra ela, pois vês que és tu que serás ajudado por ela.13. É preciso ficar claro que é mais fácil ter um dia feliz se impedires completamente a entrada da infelicidade. Mas isso requer prática das regras que irão proteger-te da devastação do medo. Quando isso tiver sido conseguido, o triste sonho de julgamento terá sido para sempre desfeito. Mas, por enquanto, tens necessidade de praticar as regras do seu desfazer. Vamos, então, considerar mais uma vez a primeira das decisões que são aqui oferecidas.14. Nós dissemos que podes dar início a um dia feliz com a determinação de não tomares decisões por tua própria conta. Isso parece ser uma decisão real em si mesma. E, no entanto, não és capaz de tomar decisões por ti mesmo. A única questão realmente é: com que ajuda escolhes tomá-las. Isso é tudo na realidade. A primeira regra, então, não é a coerção, mas uma simples declaração de um simples fato. Não tomarás decisões por conta própria seja o que for que venhas a decidir. Pois elas são tomadas com ídolos ou com Deus. E pedes ajuda ao anticristo ou ao Cristo, e aquele que escolheres unir-se-á a ti e te dirá o que fazer.15. O teu dia não é ao acaso. Ele é determinado por aquilo com o qual escolhes vivê-lo e pelo modo que o amigo a quem procuraste para pedir conselhos percebe a tua felicidade. Tu sempre pedes conselho antes de te decidires por qualquer coisa que seja. Deixa que isso seja compreendido e verás que não pode existir coerção aqui, nem justificativas para resistência para que possas ser livre. Não existe liberdade em relação ao que não pode deixar de ocorrer. E se pensas que existe, não podes deixar de estar errado.16. A segunda regra, do mesmo modo, não é senão um fato. Pois tu e o teu conselheiro têm que estar de acordo em relação ao que queres antes que possa ocorrer. É só esse acordo que permite que todas as coisas aconteçam. Nada pode ser causado sem alguma forma de união, seja um sonho de julgamento ou a Voz por Deus. Decisões causam resultados porque não são tomadas em isolamento. Elas são tomadas por ti e pelo teu conselheiro, para ti mesmo e também para o mundo. Tu ofereces ao mundo o dia que queres, pois ele será aquilo que pediste e irá reforçar o domínio do teu conselheiro no mundo. Quem é o senhor do mundo para ti hoje? Que tipo de dia decidirás ter?17. Basta que haja duas pessoas querendo ter felicidade nesse dia para prometê-la ao mundo inteiro. Basta que duas pessoas compreendam que elas não podem decidir sozinhas para garantir que a alegria que pediram seja totalmente compartilhada. Pois compreenderam a lei básica que faz com que a decisão seja poderosa e dá a ela todos os efeitos que ela jamais terá. Bastam dois. Estes dois estão unidos antes que possa haver uma decisão. Permite que esse seja o único conselho que manterás em mente e terás o dia que queres, e o darás ao mundo porque o tens. O teu julgamento terá sido suspenso no mundo pela tua decisão em favor de um dia feliz. E assim como recebeste, assim tens que dar.

[UCEM-LT-30.I]
Partilhado p/Eduardo
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